Resolvi não ser específico embora nesse momento meu cerebro despejem na minha alma uma série de idéias a respeito dos mais variados assuntos... merecimento, menage a trois, fidelidade ou a falta dela, ausências físicas e emocionais, sinceridade e a falta dela, resignação, libido(exacerbada e reprimida), saudade e sua especificidade na nossa cultura,cinismo... para cada uma dessas idéias eu poderia escrever um post, mas prefiro apenas dizer que vai voltar a rolar algo por aqui...
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
rolando algo por aqui
Tinha um tempo que não rolava algo por aqui, acho que ainda não desenvolvi meu talento blogueiro e não consigo ainda manter uma certa constância nas postagens. Embora eu continue escrevendo com uma certa frequência, iclusive em blogs amigos tenho deixado o meu espaço aqui no Do alto da montanha meio inerte... hoje resolvi vencer a inércia e dar um sinal de vida àqueles que passam por aqui com uma frequência maior que eu podia crer.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
20 e poucos anos - ou gigabytes?
What’s a cliche? Traçar um paralelo ou mesmo uma linha reta entre os hábitos de duas gerações separadas por mais de cinco anos sem parecer um coroa da geração Elvis não morreu ou 1968 ainda não acabou não é das tarefas mais confortáveis. Digamos que é quase como competir contra o Michael Phelps, mas a ousadia inerente a este escriba o impulsiona a encarar esse desafio.
Toda relação afetiva tem como essência a comunicação: através da comunicação ela começa, com comunicação ela se desenvolve (que o digam aqueles que adoram uma DR) e sem comunicação ela se esvai.
Talvez esse seja o ponto de divergência entre os meus 20 e poucos anos e os 20 pouco de hoje: você precisava ser artista na arte do xaveco. Como dar uma cantada eficaz sem poder mandar um torpedo pro celular ou um depoimento no Orkut? Sem falar que não eram tão comuns as imensas caixas de email, e nem tão vitais os endereços de MSN. A compressão de dados e ampliação das memórias digitais revolucionou não só a vida econômica, mas gerou um sem número de possibilidades de sedução eletrônica.
Quantos disparates (você não sabe o que é?) caberiam num pen drive de 16GB? Quantos Ctrl-C Ctrl-v não teríamos utilizado para explicitar aquele tradicional eu te adoro do pós-fica, ou, se preferirem, do pré-namoro?
Quem nesse último mês rabiscou um “eu te amo” mesmo em um guardanapo de botequim…? Quem nessa tarde mandou um emoticon colorido cheio de coraçõezinhos e luzes brilhantes? O “um beijo” do final dos bilhetes em papel de carta virou um “bj” antes de clicar esc.
Até na estabilidade das relações a tecnologia influiu. Quem hoje suporta namorar sem o celular, sem dar o velho telefonema pra dizer que sentiu saudade, quando no íntimo a grande dúvida era: “Onde você está? A que horas você vem?” Pra tornar tudo mais complexo, vem aí a tecnologia 3G: fim do mistério, fim da privacidade? Ou apenas mais uma maneira de expressar o amor que sentimos?
Das cantadas ao pé do ouvido no intervalo das aulas aos scraps, das cartas aos emails, das caixas coloridas cheias de papéis rabiscados ao memory card do seu celular… Fã da poesia Gessingeriana que sou, gostaria muito de vê-lo divagar sobre essas mudanças.
Quase não existem mais porta-retratos no criado mudo (aliás, com apartamentos cada vez menores, nem criado mudo existe mais). Existem apenas fotos no blog ou no Facebook. Telefone de casa? Muitas vezes nem nós mesmos nos lembramos dos nossos… Tudo pelo celular, às vezes, por mais de um deles, afinal com tantas possibilidades de paquera, precisamos ter mais de um chip.
E as provas de amor? Antes era usar um colar com a letra dela, ou mandar flores ou contar mês de namoro… Hoje não há prova de amor maior que colocar “namorando” no perfil do Orkut.
E assim caminhamos nos comunicando com modernidade, mas amando à moda antiga.
texto originalmente publicado do site Bem Resolvida: www.bemresolvida.com.br
Toda relação afetiva tem como essência a comunicação: através da comunicação ela começa, com comunicação ela se desenvolve (que o digam aqueles que adoram uma DR) e sem comunicação ela se esvai.
Talvez esse seja o ponto de divergência entre os meus 20 e poucos anos e os 20 pouco de hoje: você precisava ser artista na arte do xaveco. Como dar uma cantada eficaz sem poder mandar um torpedo pro celular ou um depoimento no Orkut? Sem falar que não eram tão comuns as imensas caixas de email, e nem tão vitais os endereços de MSN. A compressão de dados e ampliação das memórias digitais revolucionou não só a vida econômica, mas gerou um sem número de possibilidades de sedução eletrônica.
Quantos disparates (você não sabe o que é?) caberiam num pen drive de 16GB? Quantos Ctrl-C Ctrl-v não teríamos utilizado para explicitar aquele tradicional eu te adoro do pós-fica, ou, se preferirem, do pré-namoro?
Quem nesse último mês rabiscou um “eu te amo” mesmo em um guardanapo de botequim…? Quem nessa tarde mandou um emoticon colorido cheio de coraçõezinhos e luzes brilhantes? O “um beijo” do final dos bilhetes em papel de carta virou um “bj” antes de clicar esc.
Até na estabilidade das relações a tecnologia influiu. Quem hoje suporta namorar sem o celular, sem dar o velho telefonema pra dizer que sentiu saudade, quando no íntimo a grande dúvida era: “Onde você está? A que horas você vem?” Pra tornar tudo mais complexo, vem aí a tecnologia 3G: fim do mistério, fim da privacidade? Ou apenas mais uma maneira de expressar o amor que sentimos?
Das cantadas ao pé do ouvido no intervalo das aulas aos scraps, das cartas aos emails, das caixas coloridas cheias de papéis rabiscados ao memory card do seu celular… Fã da poesia Gessingeriana que sou, gostaria muito de vê-lo divagar sobre essas mudanças.
Quase não existem mais porta-retratos no criado mudo (aliás, com apartamentos cada vez menores, nem criado mudo existe mais). Existem apenas fotos no blog ou no Facebook. Telefone de casa? Muitas vezes nem nós mesmos nos lembramos dos nossos… Tudo pelo celular, às vezes, por mais de um deles, afinal com tantas possibilidades de paquera, precisamos ter mais de um chip.
E as provas de amor? Antes era usar um colar com a letra dela, ou mandar flores ou contar mês de namoro… Hoje não há prova de amor maior que colocar “namorando” no perfil do Orkut.
E assim caminhamos nos comunicando com modernidade, mas amando à moda antiga.
texto originalmente publicado do site Bem Resolvida: www.bemresolvida.com.br
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Leiam:
http://www.bemresolvida.com.br/pensata.asp?p=Comportamento&sp=Pensata
visitem o Bem Resolvida!
Abraços
visitem o Bem Resolvida!
Abraços
terça-feira, 15 de abril de 2008
Momentos, lembranças e expectativas...
Toda relação, do seu início ao seu final, sustenta-se sobre essa tríade. Antes mesmo da relação começar ela já está presente. A expectaiva daquela ligação, o momento do primeiro beijo e as permanentes lembraças que nos acompanham durante a ausência do nosso par ou que adoramos dividir ao lado dele.
Acredito que à medida que o tempo passa, ou dependendo do estágio da relação ou ainda do nosso estado de espírito cada um dos componentes dessa tríade se torna mais evidente. A expectativa que povoa as primeiras vezes, o primeiro beijo, a primeira noite, a primeira visita na casa da família... também está presente nos momentos de crise, quando vivemos a tensão do fim anunciado ou a ansiedade da reconciliação desejada. A expectativa é agora cantada de Norte a Sul do país... tudo o que quer me dar é demais é pecado não há paz, tudo o que quer de mim, irreais, expetativas deleais... julgar a lealdade, validade, necessidade ou tempo dessa expectativa é o mais difícil, e acertar esse julgamento improvável.
Os momentos são a essência, são a razão de ser da expectativa e o que dão corpo às lembranças. Os momentos são os toques, os beijos, as conversas, a brigas, as palavras de amor, o silêncio, as decepções, o companheirismo... dedicamos todos os nossos esforços aos momentos, se aos bons pra que eles aconteçam, se aos ruins pra que eles não existam.
As lembranças são nossa companhia constante, desde o tom de voz do primeiro oi até o olhar distante da hora da partida. Acompanham-nos permanentemente; por hora nos trazendo alegria e euforia por hora apertando nosso coração. As lembraças são o combustível da saudade e muitas vezes fonte da nossa força de suporta-la. Que o diga aqueles que namoram à distância e que sustentam a lealdade graças às lembranças dos dias felizes. São das lebranças também que tiramos força para não voltar atrás nas relações que não nos fizeram felizes.
Em muitos momentos de crise é travada uma disputa interna nessa triologia do afeto, boas lembranças se aliam a expectativa de mudança em prol da reconciliação, no outro córner, as más recordações se aliam a angustia da desgraça anunciada e dão força ao término. É quando os momentos entram como fiel da balança, afinal contra eles quaisquer argumentos são frágeis, quaisquer expectativas se frustram ou se confirmam e qualquer lembraça pode ser destruída ou enaltecida.
Acredito que à medida que o tempo passa, ou dependendo do estágio da relação ou ainda do nosso estado de espírito cada um dos componentes dessa tríade se torna mais evidente. A expectativa que povoa as primeiras vezes, o primeiro beijo, a primeira noite, a primeira visita na casa da família... também está presente nos momentos de crise, quando vivemos a tensão do fim anunciado ou a ansiedade da reconciliação desejada. A expectativa é agora cantada de Norte a Sul do país... tudo o que quer me dar é demais é pecado não há paz, tudo o que quer de mim, irreais, expetativas deleais... julgar a lealdade, validade, necessidade ou tempo dessa expectativa é o mais difícil, e acertar esse julgamento improvável.
Os momentos são a essência, são a razão de ser da expectativa e o que dão corpo às lembranças. Os momentos são os toques, os beijos, as conversas, a brigas, as palavras de amor, o silêncio, as decepções, o companheirismo... dedicamos todos os nossos esforços aos momentos, se aos bons pra que eles aconteçam, se aos ruins pra que eles não existam.
As lembranças são nossa companhia constante, desde o tom de voz do primeiro oi até o olhar distante da hora da partida. Acompanham-nos permanentemente; por hora nos trazendo alegria e euforia por hora apertando nosso coração. As lembraças são o combustível da saudade e muitas vezes fonte da nossa força de suporta-la. Que o diga aqueles que namoram à distância e que sustentam a lealdade graças às lembranças dos dias felizes. São das lebranças também que tiramos força para não voltar atrás nas relações que não nos fizeram felizes.
Em muitos momentos de crise é travada uma disputa interna nessa triologia do afeto, boas lembranças se aliam a expectativa de mudança em prol da reconciliação, no outro córner, as más recordações se aliam a angustia da desgraça anunciada e dão força ao término. É quando os momentos entram como fiel da balança, afinal contra eles quaisquer argumentos são frágeis, quaisquer expectativas se frustram ou se confirmam e qualquer lembraça pode ser destruída ou enaltecida.
E assim seguimos entre lembranças, momentos e expectativas; vivendo reféns de nossa passionalidade ou de nossa razão. Tendo lembranças, vivendo momentos e criando expectativas.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Água mole em pedra dura...
Imprecisa é a linha que separa a persistência e a teimosia. Perceber que tentar outra vez é desperdício de energia é uma habilidade que demanda tempo para ser apurada. Exige bom senso, capacidade de aprender com as experiências alheias, memória, paciência e, sobretudo, humildade pra perceber que nem tudo pode ser como queremos.
Será feliz a água que fura a pedra ou a pedra que percebe que ceder à água é o caminho pelo qual os minerais se espalham pela natureza? E por conseqüência parte dela mesma.
Em diferentes momentos da nossa vida nos encontramos diante do tênue véu que separa a teimosia da persistência, mas em nenhum deles a nossa percepção se torna tão distorcida quanto nos assuntos do coração. Fica difícil não ligar mais uma vez, fica impossível resistir àquele olhar de cachorro sem dono e não dar mais uma chance. É inútil tentar escapar de mais um beijo, de mais um jantar, de mais uma noite...
O desejo de tocar, pela primeira ou pela última vez, o sabor conhecido ou desconhecido daquele beijo; o mistério ou a saudade tornam a decisão de não insistir quase impossível de ser tomada, nos tornamos então reféns dos nossos instintos afetivos mais primitivos Se a persistência é o caminho do êxito, a teimosia nos leva ao desgaste e ao amargo sabor da decepção.
Água mole em pedra dura...
Como você tem terminado essa frase ultimamente? Não será hora de dar um basta nesse relacionamento desgastado pela falta de afinidade, pela falta de companheirismo? Ou será hora de ligar mais uma vez pra dizer que ainda a ama, que ela sempre será a mulher de sua vida? A verdade é que não adianta seguir um coração confuso! Nesse ponto voltamos ao início desse texto, use a habilidade que você adquiriu ao longo de sua vida, ouça sua razão. O nosso coração nem o dos outros é ficção científica onde o improvável acontece e menos ainda desenho animado que de um quadro pra outro o que estava estilhaçado ressurge intacto.
Se a possibilidade de seguir viagem feliz é real, persista! Não desista apenas porque está difícil, mas se o fracasso está previsto, pule fora! Poupe-se e poupe o próximo!
Eu por hora continuo tentando, o que está dando certo não deve ser mudado.
Será feliz a água que fura a pedra ou a pedra que percebe que ceder à água é o caminho pelo qual os minerais se espalham pela natureza? E por conseqüência parte dela mesma.
Em diferentes momentos da nossa vida nos encontramos diante do tênue véu que separa a teimosia da persistência, mas em nenhum deles a nossa percepção se torna tão distorcida quanto nos assuntos do coração. Fica difícil não ligar mais uma vez, fica impossível resistir àquele olhar de cachorro sem dono e não dar mais uma chance. É inútil tentar escapar de mais um beijo, de mais um jantar, de mais uma noite...
O desejo de tocar, pela primeira ou pela última vez, o sabor conhecido ou desconhecido daquele beijo; o mistério ou a saudade tornam a decisão de não insistir quase impossível de ser tomada, nos tornamos então reféns dos nossos instintos afetivos mais primitivos Se a persistência é o caminho do êxito, a teimosia nos leva ao desgaste e ao amargo sabor da decepção.
Água mole em pedra dura...
Como você tem terminado essa frase ultimamente? Não será hora de dar um basta nesse relacionamento desgastado pela falta de afinidade, pela falta de companheirismo? Ou será hora de ligar mais uma vez pra dizer que ainda a ama, que ela sempre será a mulher de sua vida? A verdade é que não adianta seguir um coração confuso! Nesse ponto voltamos ao início desse texto, use a habilidade que você adquiriu ao longo de sua vida, ouça sua razão. O nosso coração nem o dos outros é ficção científica onde o improvável acontece e menos ainda desenho animado que de um quadro pra outro o que estava estilhaçado ressurge intacto.
Se a possibilidade de seguir viagem feliz é real, persista! Não desista apenas porque está difícil, mas se o fracasso está previsto, pule fora! Poupe-se e poupe o próximo!
Eu por hora continuo tentando, o que está dando certo não deve ser mudado.
sexta-feira, 14 de março de 2008
En Passant
Nesse último fds, tive o prazer de receber da minha namorada o convite para assistir ao espetáculo En Passant, em cartaz no teatro do SESC sabados e domingos deste mês de março.
Longe de querer fazer uma crítica (até pq naum cabe a mim), quero compartilhar minhas impressões com vocês.
Adorei!!! Uma peça muito bem encaixada, com sintonia entre os atores, luz, cenário e figurino... gostei do ritmo do diálogo, do desenrolar do enredo que hora se passava no palco e hora na minha cabeça, esse era o principal elemento do espetáculo, ele se desenrola de acordo com as suas experiências individuais.
A peça passeia ainda sobre as dificuldades que temos em compreender aquilo que queremos e a distância que há entre nossos pensamentos e nossas palavras, com tiradas excelentes como: "...só fale se for para melhorar silencio..." e "... por favor decore meu rosto..." (que inspirou o post abaixo) o espetáculo nos convida a uma viagem pelo nosso mundo individual e pelas vezes que tivemos vontade de "desdizer"o que foi dito.
Parabéns aos produtoes, ao Jadeilson Feitosa que faz o rapaz do balanço e a Milena Pitombeira, a moça do balanço, que mostrou que além de muita inteligência tem um grande talento pra transmitir a sua mensagem.
Assistam En Passant, eu recomendo!
Por favor, decore meu rosto...
Essa frase acima é uma das falas da peça An Passant (em cartaz no teatro do SESC, Sab e Dom do mês de março de 2008), ao ouvi-la refleti sobre quantos rostos conseguimos decorar, quais rostos, por que razões certas fisionomias ficam na nossa cabeça às vezes por anos a fio.
Poderia pedir ajuda aos meus amigos médicos e enveredar pelos caminhos que levam o nosso cérebro a memorizar e associar rostos, entretanto, embora a psiquiatria e a neurologia me encantem, eu resolvi deixar os livros de médicos de lado.
Quantos rostos nossos olhos vêem durante um dia, na televisão, no visor do nosso celular no monitor do nosso computador, no nosso trabalho, nos outdoors? Quais dentre essas milhares de fisionomias ficarão guardadas na nossa cabeça? A professora do jardim da infância, o nosso dentista, o porteiro da nossa escola, a bonitona da academia, um desconhecido rosto na multidão de um show, a tiazinha do salgado da padaria... no meio das nossas preferências, das nossas vontades reprimidas, das nossas experiências passadas (desta ou de outras vidas) quais rostos decoramos?
Pior quando a lembrança de um rosto é fruto de um momento traumático, o rosto distante do médico que deu a notícia de um falecimento, a cara nervosa do assaltante, o ar de mal amada da funcionária do banco que insistia em atrapalhar a liberação daquele investimento... rostos, caras, bocas, sorrisos, cabelos... quais queremos, quais amamos, quais são tão nossos que parecem o reflexo de nós mesmos? E o nosso rosto, será que decoramos? Será que sabemos como ele está hoje ou temos ainda o reflexo de um rosto que foi consumido pelo tempo?
Nos esforcemos então, para decorar o rosto daqueles que nos fizeram bem, daqueles que amamos, daqueles que precisam de nós, decoremos o rosto dos políticos corruptos, dos profissionais financistas e dos que nos enganaram, e nos façamos presentes na memória daqueles que queremos bem.
Por favor, decore meu rosto...
Eu decorarei o seu e vc?
Poderia pedir ajuda aos meus amigos médicos e enveredar pelos caminhos que levam o nosso cérebro a memorizar e associar rostos, entretanto, embora a psiquiatria e a neurologia me encantem, eu resolvi deixar os livros de médicos de lado.
Quantos rostos nossos olhos vêem durante um dia, na televisão, no visor do nosso celular no monitor do nosso computador, no nosso trabalho, nos outdoors? Quais dentre essas milhares de fisionomias ficarão guardadas na nossa cabeça? A professora do jardim da infância, o nosso dentista, o porteiro da nossa escola, a bonitona da academia, um desconhecido rosto na multidão de um show, a tiazinha do salgado da padaria... no meio das nossas preferências, das nossas vontades reprimidas, das nossas experiências passadas (desta ou de outras vidas) quais rostos decoramos?
Pior quando a lembrança de um rosto é fruto de um momento traumático, o rosto distante do médico que deu a notícia de um falecimento, a cara nervosa do assaltante, o ar de mal amada da funcionária do banco que insistia em atrapalhar a liberação daquele investimento... rostos, caras, bocas, sorrisos, cabelos... quais queremos, quais amamos, quais são tão nossos que parecem o reflexo de nós mesmos? E o nosso rosto, será que decoramos? Será que sabemos como ele está hoje ou temos ainda o reflexo de um rosto que foi consumido pelo tempo?
Nos esforcemos então, para decorar o rosto daqueles que nos fizeram bem, daqueles que amamos, daqueles que precisam de nós, decoremos o rosto dos políticos corruptos, dos profissionais financistas e dos que nos enganaram, e nos façamos presentes na memória daqueles que queremos bem.
Por favor, decore meu rosto...
Eu decorarei o seu e vc?
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Nosso drible do Mazurkiewsky

Este é, para mim, um dos lances mais brilhantes da história do futebol. A genialidade do Rei Pelé em todo seu esplendor. Ele anteviu a saída desajeitada de Mazurkiewsky (goleiro da seleção uruguaia), com toda presença de espírito deixou a bola passar por entre suas pernas e fez um semi-círculo em torno do arqueiro. Com o pobre goleiro na saudade a consagração era certa, era só tocar pras redes e correr para o abraço... Mas não foi assim; caprichosamente a bola passou rente a trave e se perdeu pela linha de fundo.
Frustração geral. Do rei, dos que assistiam aquela pintura de jogada naquela tarde de 1970 no México e é claro de todos nós que ainda hoje ao vermos a reprise desse lance insistimos em acreditar que dessa vez a bola vai entrar.
Certa vez o próprio Rei disse que aquele lance ficou mais famoso por não ter sido gol. Talvez ele estivesse certo, mas como se conformar? Como não tentar empurrar com os olhos a pelota pro fundo das redes? Como aceitar que o maior goleador de todos os tempos arremataria pra fora?
Acho que na vida todos nós tivemos o nosso drible do Mazurkiewsky. Seja no esporte, no trabalho ou no amor. Houve na vida de cada um de nós um momento em que a glória, a alegria, a conquista, o prazer era, por nós, dado como certo e o destino simplesmente não quis assim. Teremos para sempre que lidar com a promoção perdida, com o grande amor desencontrado, com a sorte grande escorregando entre nossos dedos. Enfim, com o que poderia ter sido e, simplesmente, não foi.
Lidar com a frustração de ter feito tudo certo e ter errado no final não é tarefa simples. Repassar mentalmente a chance perdida, mentalmente imaginar tudo saindo como o esperado é uma das piores torturas que podemos nos impor.
Infelizmente, assim como em 1970, Pelé não teve outra chance de acertar sua jogada genial (acredito que até hoje esse é um lance sem o desfecho perfeito, seja no mundo do futebol profissional ou nas peladas de finais de semana), na nossa vida nos também não temos uma segunda oportunidade. Entretanto em 1970, o Rei venceu aquela partida (Brasil 3 x 1 Uruguai) e em seguida o torneio mundial (tricampeão mundial de futebol), cabe a nós aceitarmos que a bola, às vezes, simplesmente não vai entrar e então partir para o próximo lance, com mais capricho, com mais atenção, com mais raça e principalmente acreditando que vai dar certo. Não podemos nos perder na frustração da chance desperdiçada e não nos darmos a chance de acertar ali na frente.
Acredite! Dê um novo drible, a bola vai entrar. Aí é só correr pro abraço!
Frustração geral. Do rei, dos que assistiam aquela pintura de jogada naquela tarde de 1970 no México e é claro de todos nós que ainda hoje ao vermos a reprise desse lance insistimos em acreditar que dessa vez a bola vai entrar.
Certa vez o próprio Rei disse que aquele lance ficou mais famoso por não ter sido gol. Talvez ele estivesse certo, mas como se conformar? Como não tentar empurrar com os olhos a pelota pro fundo das redes? Como aceitar que o maior goleador de todos os tempos arremataria pra fora?
Acho que na vida todos nós tivemos o nosso drible do Mazurkiewsky. Seja no esporte, no trabalho ou no amor. Houve na vida de cada um de nós um momento em que a glória, a alegria, a conquista, o prazer era, por nós, dado como certo e o destino simplesmente não quis assim. Teremos para sempre que lidar com a promoção perdida, com o grande amor desencontrado, com a sorte grande escorregando entre nossos dedos. Enfim, com o que poderia ter sido e, simplesmente, não foi.
Lidar com a frustração de ter feito tudo certo e ter errado no final não é tarefa simples. Repassar mentalmente a chance perdida, mentalmente imaginar tudo saindo como o esperado é uma das piores torturas que podemos nos impor.
Infelizmente, assim como em 1970, Pelé não teve outra chance de acertar sua jogada genial (acredito que até hoje esse é um lance sem o desfecho perfeito, seja no mundo do futebol profissional ou nas peladas de finais de semana), na nossa vida nos também não temos uma segunda oportunidade. Entretanto em 1970, o Rei venceu aquela partida (Brasil 3 x 1 Uruguai) e em seguida o torneio mundial (tricampeão mundial de futebol), cabe a nós aceitarmos que a bola, às vezes, simplesmente não vai entrar e então partir para o próximo lance, com mais capricho, com mais atenção, com mais raça e principalmente acreditando que vai dar certo. Não podemos nos perder na frustração da chance desperdiçada e não nos darmos a chance de acertar ali na frente.
Acredite! Dê um novo drible, a bola vai entrar. Aí é só correr pro abraço!
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Praia do Futuro
Não, meu amor, você não está gorda
Por mais que a autocrítica excessiva de vocês teime em não acreditar, estamos falando a verdade quando respondemos a cruel pergunta que vocês mulheres insistem em nos fazer. Não que sejamos incapazes de perceber alterações de forma e contorno, mas isso não nos faz tiranos da primazia estética. Assim como a maioria das mulheres, nós homens admiramos a beleza das modelos dos outdoors. Entretanto, não é exatamente essa beleza maquiada, bem iluminada e devidamente photoshopeada que nos seduz, e sim a beleza natural da mulher que nos é atingível e, sobretudo, palpável. Literalmente, palpável. O mundo high-tech, veloz, fast-food, fabrica modas e tendências amiúde, e nós, pobres mortais, sofremos pra acompanhar esse ritmo frenético de superprodução. A moda e a tecnologia dos cosméticos têm feito nossas belas - e, muitas vezes, rechonchudinhas - amadas reféns dos seus padrões. Padrões anoréxicos e cada vez menos interessantes. Todo homem acha linda uma barriguinha sarada, mas detesta a exposição de contornos ósseos cada vez mais comuns na mídia e no imaginário feminino. Esse é o ponto: mulheres magras beirando a anorexia habitam mais o imaginário feminino que o masculino. Homens pouco sabem diferenciar um produto diet de um light, menos ainda que a tendência atual é jeans tamanho zero ou coisa parecida. Somos apaixonados por contornos arredondados, seios, lábios, glúteos... E - infelizmente pra maioria de vocês e felizmente pra nós - esses contornos tão apreciados que fazem das mulheres os seres mais belos sobre esse planeta fervilhante são devidamente preenchidos com a gordura que vocês insistem em fazer desaparecer. Não quero aqui fazer apologia da obesidade. Pelo contrário, sou um esportista e adoro os efeitos da prática esportiva nos corpos femininos, mas há uma grande distância entre o cuidado com a saúde e a aparência e a obsessão por caber num jeans que ficaria apertado na sua prima de sete anos. Fica aqui quase um apelo: cuidem-se, malhem, escolham bem o que vocês comem, mas só! Qualquer atitude que vá além disso já passa a ser um distúrbio e tirará de vocês seus maiores encantos. A mulher bem resolvida é aquela que sabe que precisa perder um quilinho ou tirar uma papadinha, mas não perde o charme nem o humor por isso. O mundo real não tem photoshop nem maquiagem que não larga, mas tem inteligência, charme, cheiro e, sobretudo, gosto e tato.
Texto publicado originalmente no site Bem Resolvida em maio de 2007
Publicado também da Revista Presença
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Bola no centro...
Essa é a postagem número 01 do meu blog, a idéia de criá-lo surgiu há alguns meses, mas somente após alguns incentivos recentes resolvi converter a idéia em ação...
O quem vem por aí eu sinceramente não sei, espero apenas me divertir e criar mais um meio de encontrar amigos e descobrir coisas novas...
Idéias soltas, desabafos, críticas, comentários, imagens, crônicas, dicas... e tudo o que fizer parte da minha vida prática ou das minhas andanças pelo mundo da rede irão parar por aqui.
Dirvirtam-se, porque de meu lado a curtição já começou
O quem vem por aí eu sinceramente não sei, espero apenas me divertir e criar mais um meio de encontrar amigos e descobrir coisas novas...
Idéias soltas, desabafos, críticas, comentários, imagens, crônicas, dicas... e tudo o que fizer parte da minha vida prática ou das minhas andanças pelo mundo da rede irão parar por aqui.
Dirvirtam-se, porque de meu lado a curtição já começou
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